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Evil Dead
O que mais pode ser dito sobre Evil Dead? O filme estreeou há mais de duas décadas no festival de Cannes e desde então tanto o mundo como o cinema mudaram bastante. Nessa altura este filme de (muito) baixo-orçamento era apenas mais um filme de terror barato a tentar fazer algum dinheiro antes de desaparecer para sempre nas prateleiras mais escondidas dos clubes de video. Mas as coisas acabaram por não acontecer assim, não foi? Não. Na verdade, Evil Dead estreou com uma resposta tão entusiástica como surpreendente por parte dos espectadores, recebeu críticas surpreendentemente boas, recebeu uma recomendação de alguém chamado Stephen King, e continuou até se tornar um dos filmes de culto mais influentes e venerados das últimas duas décadas. As histórias por trás deste filme foram bem documentadas ao longo dos anos. Bruce Campbell, agora ele próprio um objecto de culto, tem vindo a contar histórias e anedotas sobre o filme durante anos em convenções e conferências de imprensa. Recentemente dedicou uma grande parte da sua auto-biografia à produção e rodagem de Evil Dead. Um membro da produção, Josh Becker, recontou as suas experiências (com pormenores muito divertidos) no seu website, retiradas das suas próprias entradas no diário da produção. Sam Raimi já deu inúmeras entrevistas sobre o assunto e tem de lidar com o facto de que, independentemente de quantos SPIDERMAN faça, o seu nome será sempre Sam "Evil Dead" Raimi. A cabana podre onde o filme foi rodado, as noites frias, o chão coberto de dejectos de animais, o xarope de sangue que colava a tudo e a todos, os falso adereços, tudo isso está bem documentado e pode, graças À tecnologia DVD, ser encontrado na maioria das edições actualmente à venda.
Mas como geralmente acontece com tudo aquilo que é feito com amor, as recompensas chegaram. Desde a sua estreia os espectadores ficaram maravilhados e assombrados com a natureza maléfica do guião, com a simplicidade da história, com o desempenho dos actores e, sim, até mesmo :[com os efeitos visuais. Tudo começa quando cinco amigos alugam uma cabana no meio da floresta para passar alguns dias. E tudo parece estar a correr bem até que, na cave da cabana, encontram um diário gravado do seu antigo habitante. Na gravação ele relata como nas suas expedições arqueológicas as ruínas de Kandahar encontrou o livro dos mortos Necronomicon Ex Mortis e como as suas experiências com o livro correram temivelmente mal. Horrorizados, os amigos ouvem a voz do arqueólogo a contar como invocou demónios inadvertidamente e como estes possuiram a sua mulher. No final, a sua única opção foi o desmembramento da mulher. Antes que alguém interrompa a cassete o velho consegue proferir uma série de passagens do livro negro e põe em movimento acontecimentos que ninguém poderia prever... E mais não conto.
O filme tem momentos cómicos e momentos dramáticos. Tem muitos momentos assustadores, como se poderia esperar. E tem sobretudo uma atmosfera de surreal e de fantástico que leva o espectador a querer rever cada momento uma e outra vez para se convencer de que o que sentiu não foi por acaso mas sim induzido pelo filme. Deve-se dizer também que o filme foi muito beneficiado pelo lançamento da tecnologia VHS na década de 80. Efectivamente, apesar de ter tido um sucesso surpreendente nas bilheteiras, parecia destinado a ser esquecido ao fim de alguns anos como tinha acontecido a muitos outros. Mas teve a sorte de ser lançado numa atura em que home video estava a dar os seus primeiros e entusiásticos passos. Até então os filmes de culto ficavam reservados a drive-ins e a projecções de meia-noite em alguns canais de televisão. Mas já não era assim. Os filmes poderiam realmente ser comprados, gravados e alugados.
Mas enquanto a popularidade de Evil Dead explodia em VHS, Sam Raimi não ficou quieto e, juntamente com Bruce Campbell, produziu mais duas sequelas. Evil Dead II: Dead by Dawn voltou a arrebatar espectadores por todo o mundo. Uma legião de admiradores tinha sido criada com o primeiro filme e estes aguardavam com ansiedade a continuação. A segunda parte da trilogia começa no mesmo instante que termina o primeiro filme (assim como a transição da segunda para a terceira parte).
Obviamente, uma trilogia necessita de um terceiro filme. E foi o que Sam Raimi fez com Evil Dead III: Army of Darkness. Desta vez, Raimi cortou completamente com o contexto da cabana (como já imaginava quem viu o final do segundo filme) e transporta Ash para as origens do Necronomicon onde, numa época que não é a dele, com um povo que não é o dele, ele é escolhido como o herói que vai vencer as forças dos Mal. Este filme quebrou com todas as regras dos filmes de terror e fantasia. As cenas de humor e peripécias sucedem-se mas quando o espectador pensa que não pode rir mais é brutalizado com cenas de gore visceral. E esta alternância mantém-se até ao final apoteótico onde o espectador é deixado a perguntar-se "Mas o que é que se passou aqui?".
Hoje em dia, as edições dos três filmes sucedem-se em DVD. A melhor é sem duvida a que está apresentada no topo deste artigo e que é constituída por uma caixa de latex que simula o Necronomicon original do filme e que contém todas as páginas que foram vistas no filme original. Qualquer admirador de filmes de terror tem a obrigação de ver e apreciar a qualidade e o empenho que foram depositados em todos os Evil Dead e no final não poderá ter outra reacção que não seja o espanto e a admiração por um dos melhores filmes de terror jamais filmados. Vale a pena, sem dúvida, ter na colecção.
NOTA: Sam Raimi já desejou interesse em realizar o quarto filme da série Evil Dead. Bruce Campbell já se mostrou disponível para protagonizar (um condição pedida por Raimi). Assim sendo, e logo que terminem os filmes da série Spiderman, Raimei voltará à carga. É de esperar que os espectadores possam assistir a Evil Dead IV antes de 2010. PARA COMPRAR: Há edições todos os filmes em Português e podem ser encontradas na FNAC. Para edições especiais só mesmo no estrangeiro, como a Amazon.co.uk.
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